terça-feira, 14 de outubro de 2014

Lembra-se?

Era primavera, dia frio e as folhas rugiam, o sol brilhava e o vento soprava. Ela estava ali, sentada na praça fazendo uma das coisas que mais gostava, observar a natureza e o que o universo tinha a ensinar.


Estava sentada em um banco simples, de madeira e bem confortável. Aquela praça era viva, havia muitas árvores e uma visão ampla da pequena cidade em que morava Lucy. Passavam pessoas do outro lado da rua, onde se encontravam faces alegres, outras tristes, sorrisos de quem acordou acompanhado, pessoas que sonhavam acordadas, outras preocupadas....Lucy gostava de observar as pessoas. Sim ela era observadora, e também sonhadora. 

Ela admirava a vida e gostava de poder sentir o brilho do sol, não precisava de mais nada, aquele calor intenso e aquela cor ensolarada permitia que ela se sentisse viva.
Deitou-se no banco.
Enquanto admirava a alvorada e tudo o que havia ao seu redor, uma beleza única e mais do que isso, não era como em um quadro onde as paisagens eram paradas, aquilo tudo era vivo, havia movimento. 

Enquanto observava um encontro feliz de um casal de pássaros, se pegou nostálgica. Aquele amor antigo, um garoto que conhecerá quando era mais nova. Ele era da mesma cidade que ela, e talvez ainda morasse lá, ela não sabia. Mas Lucy lembrava dele, o jeito como a observava na alvorada, que a deixava com bochechas avermelhadas. Aquele sorriso, o seu jeito tímido que desviava os olhares repentinos, o seu modo de mexer no cabelo que a encantava e aquele abraço que a fazia sentir-se segura. Por um instante parou e pensou no que havia ocorrido entre os dois, aquele distanciamento.  Não sabia o porquê dele ter se afastado tanto, e de ela ter permitido isso....

O céu já estava azul escuro, e a noite estava se aproximando. Enquanto ela se levantava, aquele pensamento foi se desfazendo por um instante.
Lucy levantou-se  e quando virou-se lá estava ele, de frente para ela, a encarando, era Valetin.Suspiros.
Não foi trocada nenhuma palavra, e ela nem esperava por isso. Decidida já sai dali andando, mas ele foi atrás dela e a puxou pelo braço, não a dando opção, fazendo-a esperar. Ela tremeu e sentir seu coração bater mais rápido. Não esquecerá o quanto ele havia a magoado.
Os dois. Naquela praça.  Um quadro que tinha movimento. Sentimentos envolvidos. 
O céu que estava azul....Nenhuma palavra. 

Mas ele não conseguia encontrar palavras. E ela ainda de costas somente esperava que ele mudasse aquele momento.

O quadro ficava sem movimento, e a sua fotografia permanecerá assim. Duas pessoas, muitos momentos, mágoas e nenhuma palavra....
Não era uma obra moderna a que Helena observava naquele museu, não poderia haver palavras, somente as expressões e os sentimentos.
E Helena já olhava outro quadro ao lado.




Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial

Um comentário:

  1. Hi, Luna! Li seu texto, achei muito bonito, as passagens são repentinas e que nos fazem refletir, imaginá-las. A descrição está bem feita e os fatos se colocam de maneira espontânea. Parabéns!
    Continue, eu estimulo muito o seu trabalho... e um dia desses precisamos parar para conversarmos mais sobre escrita! ;)

    ResponderExcluir

Copyright © Pensamentos inusitados | Traduzido Por: Mais Template

Design by Anders Noren | Blogger Theme by NewBloggerThemes