domingo, 26 de outubro de 2014

Fez aquela mudança

Sempre haverá uma primeira vez. A primeira queda, o primeiro beijo, o primeiro amor, a primeira palavra dita com carinho...
Quando começamos uma mudança percebemos o quanto de coisas carregamos conosco, são fotos, malas, roupas, cartas, amuletos, recordações e até objetos desnecessários. 
Junto disso tudo vem os planos e a ansiedade de terminar a mudança.
A mudança é como se fosse um quebra-cabeça, os móveis vão saindo da casa, algumas decorações, o papel na geladeira, a bagunça que estava no seu guarda-roupa a blusa que não sabia onde estava, a empolgação e o cansaço no final da tarde...
Olha-se para a casa, as paredes querem falar, quase não se ouve vozes!  A sala já está vazia! As paredes gritam, momentos vividos ali, elas querem dizer....
Olha-se para um canto na sala, que já não tem mais móveis, memórias vem em sua mente, histórias, risadas, sorrisos, gargalhadas, música, café da tarde, conversas, reflexões, estudos, lagartixas, abraços...momentos!!
Acordo desse transe e já não vejo mais nenhum móvel. As paredes silenciam, sorrio. Suspiro, e um sorriso, momentos bons que vão ficar marcados e futuramente relembrados. Fecha a porta.
 Ultimo olhar, e agora ver estrelas.





segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Um pensamento sobre a saudade


Estava a refletir em como as coisas ocorrem em nossa vida, são momentos vividos cheios de alegria e sorrisos, pessoas que marcam bancos no meio da cidade, leves sorrisos, olhares, conversas e receios. Mas depois de um tempo elas se vão, novos caminhos e sorrisos a serem levados e deixados, sonhos a serem conquistados. 

Talvez aquele banco na praça nunca deixará de trazer a nostalgia do desenho do seu rosto e o ar quente que sentia em minha face quando dava gargalhadas e me beijava aos lábios. Uma cidade e um pedaço que ainda faltava nela, naquela praça onde ao meu redor pássaros, árvores, crianças e até um chafariz que nunca havia parado para observar se encontravam ali. Até um ônibus que passava me fazia lembrar das várias viagens que fizemos e como nos divertimos. Apenas não sabia que um dia iria embora e essa ausência existiria aqui dentro de mim.

Quem nunca sentiu falta de alguém? Um amigo, um amor, uma pessoa importante que se foi e deixou pedaços em toda a cidade? Que te faz lembrar de todos os momentos que viveram ali? 

Tenho saudade de quem se foi, de quem eu deixei e até de quem ainda não partiu....



"Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos…"


Vinícius de Moraes


terça-feira, 14 de outubro de 2014

Lembra-se?

Era primavera, dia frio e as folhas rugiam, o sol brilhava e o vento soprava. Ela estava ali, sentada na praça fazendo uma das coisas que mais gostava, observar a natureza e o que o universo tinha a ensinar.


Estava sentada em um banco simples, de madeira e bem confortável. Aquela praça era viva, havia muitas árvores e uma visão ampla da pequena cidade em que morava Lucy. Passavam pessoas do outro lado da rua, onde se encontravam faces alegres, outras tristes, sorrisos de quem acordou acompanhado, pessoas que sonhavam acordadas, outras preocupadas....Lucy gostava de observar as pessoas. Sim ela era observadora, e também sonhadora. 

Ela admirava a vida e gostava de poder sentir o brilho do sol, não precisava de mais nada, aquele calor intenso e aquela cor ensolarada permitia que ela se sentisse viva.
Deitou-se no banco.
Enquanto admirava a alvorada e tudo o que havia ao seu redor, uma beleza única e mais do que isso, não era como em um quadro onde as paisagens eram paradas, aquilo tudo era vivo, havia movimento. 

Enquanto observava um encontro feliz de um casal de pássaros, se pegou nostálgica. Aquele amor antigo, um garoto que conhecerá quando era mais nova. Ele era da mesma cidade que ela, e talvez ainda morasse lá, ela não sabia. Mas Lucy lembrava dele, o jeito como a observava na alvorada, que a deixava com bochechas avermelhadas. Aquele sorriso, o seu jeito tímido que desviava os olhares repentinos, o seu modo de mexer no cabelo que a encantava e aquele abraço que a fazia sentir-se segura. Por um instante parou e pensou no que havia ocorrido entre os dois, aquele distanciamento.  Não sabia o porquê dele ter se afastado tanto, e de ela ter permitido isso....

O céu já estava azul escuro, e a noite estava se aproximando. Enquanto ela se levantava, aquele pensamento foi se desfazendo por um instante.
Lucy levantou-se  e quando virou-se lá estava ele, de frente para ela, a encarando, era Valetin.Suspiros.
Não foi trocada nenhuma palavra, e ela nem esperava por isso. Decidida já sai dali andando, mas ele foi atrás dela e a puxou pelo braço, não a dando opção, fazendo-a esperar. Ela tremeu e sentir seu coração bater mais rápido. Não esquecerá o quanto ele havia a magoado.
Os dois. Naquela praça.  Um quadro que tinha movimento. Sentimentos envolvidos. 
O céu que estava azul....Nenhuma palavra. 

Mas ele não conseguia encontrar palavras. E ela ainda de costas somente esperava que ele mudasse aquele momento.

O quadro ficava sem movimento, e a sua fotografia permanecerá assim. Duas pessoas, muitos momentos, mágoas e nenhuma palavra....
Não era uma obra moderna a que Helena observava naquele museu, não poderia haver palavras, somente as expressões e os sentimentos.
E Helena já olhava outro quadro ao lado.




sábado, 11 de outubro de 2014

Deixar ir


As vezes é necessário deixar ir..

Deixar ir alguns sentimentos, aqueles que te controlam o tempo todo, te fazem prisioneiro em uma metade que só cabe a você querer preencher.
Deixar ir o medo que te assola por dentro, onde seus sonhos ficam bambos, que te faz pensar em desistir de seguir e enfrentar as realidades desse mundo.
Deixar ir aquele desejo de querer poder estar presente na vida de todas as pessoas, você provavelmente nunca irá conseguir dar atenção, conselhos e estar com todas as pessoas que ama. Não adianta. Então não se apegue, esculte o que aquele amigo que está distante tem a dizer e procure compreende-lo. Ele também não pode estar ao seu lado em todos os momentos.
Deixar ir aquelas pessoas que amou no passado, aqueles sorrisos que logo depois te magoaram, aqueles beijos e as noites acompanhadas por alguém que nunca te valorizou.
Deixe ir as mágoas, aqueles mais antigas, de quem te machucou e nem te pediu desculpas.Não guarde elas, são cores escuras que marcam nosso peito. Deixe ir, perdoe


Deixe ir!!


Querido leitor você deve estar me analisando e pensando o quanto é ousado da minha parte estar escrevendo isso, mas reflita comigo...
Quantas vezes você não permitiu que algo novo entrasse na sua vida porque não deixou ir muitas coisas e pessoas? 
Estou escrevendo isso e percebo que não é fácil. Eu não deixei ir muitas coisas, e mesmo depois de ter mudado de cidade o que fiz foi guarda-as na mala e traze-las comigo, e ainda estão aqui....
Mas fica a critério de cada um de nós nesse universo tão enorme a decisão de deixar ou não ir...
E você? vai deixar ir?


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Gosto, e como gosto

Aquele sorriso, estampado e que ao redor encontrava-se um charme, sua barba. Tudo isso me convencia o quanto sentia sua falta, o quanto havia me esquecido com era bom ouvir o que tinha para falar. Mesmo tão longe sinto um conforto em poder estar contigo.
Aquele seu olhar, garoto e homem ao mesmo instante. Sabe do que eu gosto. Me conhece e sabe a hora que quero um abraço ou me inundar dando risada no canto da sua boca.
Minha inspiração, garoto dos meus sonhos e também chato.
Sabe, o quanto tenho percebido como é bom deixar-se gostar por alguém, não se restringir, pois com você não tenho medo. Pelo contrário, com você consigo abrir minha infinidade de pensamentos, até aqueles mais obscuros.
Gosto do seu olhar, daquele que me deixa sem jeito e me faz desviar os meus deles. Gosto do seu sorriso, que me faz sorrir e saber que está bem e feliz. Gosto da sua barba, que me faz pensar nas nossas loucuras e desejos mais profundos. Gosto do seu abraço que me faz apenas pedir que não vá embora, que fique mais um pouco para que me perca nele. Gosto da sua boca, que me mantém próxima da sua respiração que é quente .
Gosto do garoto que me faz dar gargalhadas, e do homem que me faz sentir o calor que nosso amor nos envolve.

Simples, do que gosto? Gosto de você, e de te estar fazendo rir nesse momento.


Luna S.


domingo, 5 de outubro de 2014

O Guardador de Rebanhos

"Eu nunca guardei rebanhos, 
Mas é como se os guardasse. 
Minha alma é como um pastor, 
Conhece o vento e o sol 
E anda pela mão das Estações 
A seguir e a olhar. 
Toda a paz da Natureza sem gente 
Vem sentar-se a meu lado. 
Mas eu fico triste como um pôr de sol 
Para a nossa imaginação, 
Quando esfria no fundo da planície 
E se sente a noite entrada 
Como uma borboleta pela janela. 
Mas a minha tristeza é sossego 
Porque é natural e justa 
E é o que deve estar na alma 
Quando já pensa que existe 
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso."


Um parte do poema O Guardador de Rebanhos,  Fernando Pessoa


Carta e sorrisos largos


Surpresas sempre me deixam sem jeito, com vontade de correr e abraçar a pessoa amiga, aquela que tem no coração a sensibilidade de saber tirar sorrisos largos, fazer o nosso coração palpitar de alegria.

Mas o que pode ser a surpresa? 

Pode ser um bilhete, uma foto, um desenho deixado na cama, um recado na geladeira,  simples nascer do sol, a lua que surge, o passarinho que assobia, podem ser de muitas formas e dentre elas está a carta. Um lugar livre, onde as palavras saem sem muita teima. 


Abri um pouca a gaveta, como todos os dias, mas naquele dia letras sobressaltavam de um papel. Palavras queriam sair, comecei a ler e logo se formavam as expressões em minha face. Um sorriso largo, pensamento inusitado, gargalhadas e movimentos de afirmação com a cabeça a cada linha lida, e depois disso tudo  lágrimas de felicidades que escorriam . 

Aquela carta carregava as histórias compartilhadas, momentos divertidos entre amigos, noites de conversas e ensinamentos de uma pessoa amiga em que você pode confiar. 
São poucas as pessoas que tem sensibilidade para conceder a oportunidade de fazer sorrisos largos surgirem.
Existe esse mundo tão imenso, com tantas coisas boas a serem feitas, com tantos sorrisos a serem conquistados e amizades para serem mantidas. 

Surpresas, cartas, sorrisos, um pôr do sol a ser contemplado, gargalhadas a serem dadas, amizades a serem feitas, um vento a soar na face, e enfim, ser feliz com tantas surpresas que encontramos nas coisas mais simples da vida!


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Quero mais é viajar


Quero mais é viajar!!

Essa é a frase da qual mais tenho pronunciado com o coração exausto, existe um momento em nossa vida que é necessário ter mais sonhos, mais emoção, pegar a mochila com aquilo que é necessário e sair pelas ruas, cidades, e lugares. 
Nunca se é tão adulto para sonhar novamente aquele sonho da infância ou da adolescência.  Pare de achar que está velho para isso, poucas são as pessoas que pegam seu sonho e saem pelo mundo. Não seja aquela grande maioria que acha que isso é ultrapassado, mas se for, me perdoe. 
Mas como dizia, essa frase tem martelado em minha mente, quando surgir uma oportunidade irei, sozinha com Deus e meus sonhos para serem realizados. 

Quero poder ir a uma cidade, onde não conhecerei ninguém e perguntar a alguém que esteja passando na rua o que acha de mim, ou então poder conversar com o mendigo que é muitas vezes rejeitado pela população, ouvir o que ele tem para contar, essas pessoas tem muitas histórias e ensinamentos a serem dados. 
Quero sentar na praça de cada lugar e observar o quanto as pessoas são diferentes, nos seus passos desajeitados, apressados e em suas faces vazia, de sono, ou de muitas gargalhadas pela manhã, daqueles que sabem valorizar a vida e o sol que ali surgiu e está a brilhar. 
Quero andar sem rumo, me perder pelas ruas e encontrar a cada esquina uma nova oportunidade de encontrar o rumo certo, ou não, e se divertir de novo. 
Quero sentir o vento que sopra de diferentes formas, o céu estrelado de cada cidade, a natureza que está sempre comigo, não importa aonde eu vá.
Quero poder sentar na praça, almoçar e não se preocupar com o meu cabelo desarrumado ou a roupa que estou usando.
Quero conhecer lugares novos, comidas diferentes, sotaques, e claro ouvir o que as pessoas tem para dizer ao mundo, aprender. 
Sou livre, e falta pouco para que esse verbo, o " Querer" se torne o anuncio '' Estou indo, quer vir comigo?''


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

As estrelas no céu

Olhava para o céu. Admirava e se encantava com as estrelas, elas queriam sempre dizer algo, era preciso silenciar e observar a noite para compreender. As folhas das arvores balançavam com o vento que soprava lá fora, ela ouvia o barulho e ficava feliz e atenta. Gostava daquilo tudo. 
Um universo tão esplendido, tudo tão perfeitamente criado. Ela olhava para o céu e agradecia a Deus pela sua obra, ela sentia o sentimento que a criação passava, era difícil ter aquele olhar, as pessoas não se permitiam compreender a beleza que estava ao seu redor. 
Ela procurava entre aquela multidão as constelações, e logo vinha aquela memória da primeira vez que havia observado, estava na praia com uma amiga que conduzia com o dedo a constelação de Escorpião......Aquele céu também permitia a ela estar mais próxima de casa. Aquela nostalgia veio em seguida , quando olhava também as estrelas aos domingos pela noite na casa da sua mãe.
Ela se encontrava feliz!
Parou, suspirou.
Eduarda permanecia ali, e observava que aquele céu parecia estar tão próximo, as estrelas saltavam com o seu brilho. Um sorriso instantâneo surgia quando uma estrela cadente passava, aquilo fazia a lembrar das pessoas que a fazia rir, amigos engraçados e que ela tinha um grande carinho. Se Eduarda pudesse daria a cada estrela os nomes das pessoas mais importantes de sua vida, só para mostrar um pouco de seu amor por elas.  
Em um momento ela já se mantinha deitada e logo o sol nasceria, e a brilhar para iniciar um novo dia.
Por que não olhar o céu hoje pela noite? Sinta a natureza que nos envolve e nos cerca. Não deixe que sua origem se perca, somos todos do universo, fazemos parte dele.



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